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My ode to Japan #prayforjapan (Taken with instagram)

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Peixe Grande

Publicado em , por , na categoria Cinema, Filmes Favoritos
BigFish

Dirigido por Tim Burton.
Com:Ewan McGregor, Albert Finney, Billy Crudup, Jessica Lange, Alisson Lohman, Helena Bonham Carter, Robert Guillaume, Matthew McGrory, Marion Cotillard, Danny DeVito e Steve Buscemi.

Edward Bloom é um contador de histórias. Assim como o lendário Barão de Münchhausen, ele narra, para quem quiser ouvir, incidentes fantásticos que protagonizou ao longo de sua vida – porém, ao contrário do Barão, que ‘cavalgou balas de canhão’ e ‘ergueu a si mesmo pelos cabelos’, os casos de Edward têm, como ponto forte, não as peripécias do narrador, mas sim as estranhas figuras que este encontrou pelos quatro cantos do mundo.

Veja a seguir o Trailer do filme

[video]http://www.youtube.com/watch?v=-d-kjzBmz6I[/video]

É mais do que apropriado, portanto, que o ótimo roteiro de John August (adaptado a partir do livro de Daniel Wallace) tenha início com um típico ‘causo’ de pescador – uma narrativa envolvendo um peixe impossível de ser pescado e a aliança do próprio Edward. Infelizmente, apesar de ser um excepcional contador de histórias (afinal, ele passou toda sua vida praticando), o sujeito acaba despertando mágoas em seu filho, que se ressente por jamais ouvir o pai contar algo ‘real’ sobre si mesmo. Assim, quando é informado de que Edward está morrendo, o jovem Will Bloom decide voltar para casa (acompanhado por sua esposa grávida) com o objetivo de tentar finalmente ‘conhecer’ seu pai – que, por sua vez, não perde a oportunidade de relatar suas ‘experiências’ para a nora, que, afinal de contas, nada mais é do que uma nova platéia.

E que ‘experiências’: para Edward, nada é prosaico. Ao descrever como viu sua esposa pela primeira vez, por exemplo, ele explica como ‘o tempo pára’ quando conhecemos ‘nosso grande amor’ (numa belíssima tomada que leva este conceito ao pé da letra). Além disso, suas histórias envolvem figuras como gigantes, bruxas e peixes gigantescos, originando incidentes extremamente fantasiosos que capturam a imaginação do espectador de forma arrebatadora. Aliás, é justamente a magnitude das ‘proezas’ de Edward que explica a metáfora descrita pelo título do filme: como um grande peixe que morre por ser confinado em um aquário pequeno demais para suas dimensões, Edward é um homem que, apesar de não possuir ambições colossais, tem uma imensa energia e um impressionante prazer em viver – e, também como os peixes (que precisam nadar constantemente para que possam ‘respirar’), a imobilidade (leia-se: monotonia) pode ser fatal para ele.

Esta característica, diga-se de passagem, é brilhantemente retratada pelos dois intérpretes que dão vida a Edward: Ewan McGregor, que encarna o personagem em sua fase mais jovem, revela inteligência ao mostrá-lo sempre sorrindo – mesmo nos momentos mais difíceis – e enfrentando os problemas com uma autoconfiança inabalável. Já Albert Finney assume a difícil tarefa (que executa com a eficiência habitual) de ilustrar, para o público, como Edward é torturado pelas limitações impostas por sua saúde debilitada, que o impedem de sair de casa. Para tornar tudo mais interessante, a escalação de McGregor, Finney e Perry Walston (que vive o personagem aos 10 anos de idade) foi extremamente feliz, já que os três realmente se parecem, o que confere maior autenticidade à história. Aliás, o mesmo vale para Alison Lohman e Jessica Lange, que, apesar de pouco exploradas pelo filme, convencem como as duas versões (em idades diferentes) da mesma personagem.

Explorando ao máximo a inventividade do roteiro de August, o cineasta Tim Burton mostra-se inteiramente à vontade neste universo – que, afinal de contas, não se revela muito distante daqueles vistos em seus trabalhos anteriores, como Os Fantasmas se Divertem, Edward Mãos-de-Tesoura e Batman (além, é claro, do maravilhoso O Estranho Mundo de Jack, que, apesar de ter sido dirigido por Henry Selick, traz a marca inconfundível de Burton, que não apenas o produziu como também trabalhou na concepção da história e do visual do filme). Não é à toa que um dos principais atrativos de Peixe Grande reside no design de produção do talentoso Dennis Gassner, parceiro habitual dos irmãos Coen. Da mesma forma, a fotografia do francês Philippe Rousselot destaca-se por conferir o clima apropriado a cada seqüência, das assustadoras às românticas – e seu preciosismo merece aplausos: observe, por exemplo, como o rosto da jovem Sandra Bloom aparece sempre mais iluminado do que o restante do ambiente (e, em alguns instantes, quase em soft focus), ilustrando a maneira etereal, romantizada, com que Edward a enxerga.

Por outro lado, é uma pena que Burton acabe cometendo o mesmo equívoco de Will, filho do protagonista: ao tentar conhecer o ‘verdadeiro’ Edward, o filme se enfraquece justamente por tentar explicar o ilusório, como se revelasse os segredos por trás dos truques de um mágico. O que Will (e Burton) não parece entender é que seu ressentimento com relação às histórias do pai é uma bobagem: enquanto se preocupa por julgar que as narrativas fabulosas de Edward o impedem de conhecê-lo, Will deixa de perceber o mais importante: são elas que o definem. Talvez Edward tenha criado suas histórias por ter passado parte da infância preso em sua cama, ou talvez para simplesmente divertir o filho, mas o fato é que elas revelam muito mais sobre sua personalidade do que uma descrição puramente factual de sua vida o faria. Porém, ao contrário de Will (que, de uma maneira ou de outra, parece perceber isso), o diretor compromete parte da fantasia durante o terceiro ato, quando tenta conferir certo grau de realismo àquele universo.

Ora, a descrição de Edward sobre seu primeiro encontro com Sandra, que ‘fez o tempo parar’, pode até ser falsa, mas isso não importa. O que interessa é o que a história revela: seu amor incondicional pela esposa. E, se o fantástico consegue traduzir a realidade com poesia, por que trocá-lo pelo literal? Por sorte, Edward Bloom jamais perde este paradoxo aparente de vista, mesmo que Tim Burton ocasionalmente o faça.

Por: Zeta filmes

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